26 janeiro 2020

Resenha: As mil partes do meu coração, de Colleen Hoover

Foto: Luna literária

As mil partes do meu coração
COLLEEN HOOVER
336 páginas
Jovem Adulto
Editora Galera Record

Para Merit Voss, a cerca branca ao redor da sua casa é a única coisa normal quando o assunto é sua família, peculiar e cheia de segredos. Eles moram em uma antiga igreja, batizada de Dólar Voss. A mãe, curada de um câncer, mora no porão, e o pai e o restante da família, no andar de cima. Isso inclui sua nova esposa, a ex-enfermeira da ex-mulher, o pequeno Moby, fruto desse relacionamento, o irmão mais velho, Utah, e a gêmea idêntica de Merit, Honor. E, como se a casa não tivesse cheia o bastante, ainda chegam o excêntrico Luck e o misterioso Sagan. Mas Merit sente que é o oposto de todos ali.
Além de colecionar troféus que não ganhou, Merit também coleciona segredos que sua família insiste em manter. E começa a acreditar que não seria uma grande perda se um dia ela desaparecesse. Mas, antes disso, a garota decide que é hora de revelar todas as verdades e obrigá-los a enfim encarar o que aconteceu. Mas seu plano não sai como o esperado e ela deve decidir se pode dar uma segunda chance não apenas à sua família, mas também a si mesma. As mil partes do meu coração mostra que nunca é tarde para perdoar e que não existe família perfeita, por mais branca que seja a cerca.

Os Voss são totalmente odiados na cidade. Isso porquê a família mora em uma antiga igreja e o padre não mede esforços para propagar a palavra do ódio contra eles. Sim, você leu certo. Se tudo isso ainda não fosse suficiente, a história do grupo é pra lá de absurda.

O pai de Merit teve um caso logo quando a esposa estava travando uma difícil luta contra um câncer. A traição, com a enfermeira, gerou uma criança e atualmente todos vivem na mesma casa. Utah, o filho mais velho; Merit e Honor, as gêmeas; Moby, o filho do relacionamento extraconjugal; o pai, a madrasta e a mãe – esta última que vive no porão da igreja, isolada de todos.

Como se já não fossem muita gente dividindo o mesmo espaço, o então namorado de Honor, Sagan, também se muda para a igreja e logo depois é a vez de Luck, irmão da madrasta, chegar a Dólar Voss. O peso dos segredos dessa família estão a ponto de esmagar a todos e Merit não consegue lidar com toda essa situação. A jovem logo percebe que ninguém a nota e que não faria diferença alguma na vida daquelas pessoas se ela partisse.

"Gosto de você o bastante para te beijar. Pode acreditar. Mas queria que você pudesse gostar de si mesma tanto quanto gosto de você".

Sabe aquela leitura que você não sabe se gostou? Eu me sinto assim quanto a este livro. Não me entendam mal, vocês sabem que eu sou apaixonada pelas histórias da CoHo, porém, com esta obra toda essa paixão não rolou. A escrita da autora continua fantástica, ela conseguiu me entreter de uma maneira absurda, do tipo que finalizei as páginas em poucos dias. Mas, não morri de amores.

Por vezes achei alguns personagens totalmente insuportáveis. Sério, o que era a irmã gêmea da Merit? A vontade de entrar na história e socar a cara dela, do irmão mais velho e dela mesma eram gigantescas. Acredito que despertar este tipo de sentimento do leitor foi exatamente o que a Colleen desejava, assim entendendo um pouco mais dos sentimentos da personagem.

Este, assim como todos os livros da autora, não é só mais um romance. Ela trata de assuntos extremamente importante e entre eles a depressão. Já no início da história eu saquei que este seria o assunto tema por aqui. A Merit não é o tipo de personagem que fica triste o tempo todo e com isso CoHo mostra o que muitos ainda não sabem: ter depressão não é sinônimo de sempre estar triste. É uma doença silenciosa. Em um dia ela está alegre, feliz e se divertindo, mas no próximo deprimida em saber ao certo o que faz por aqui. Neste ponto Hoover mais uma vez foi fantástica.

Deixo aqui um destaque para a incrível edição da Galera Record. Mesmo tendo uma tradução do título da obra péssima, e que muito foi criticada pelos leitores, o encaixe dos desenhos citados na obra, ao fim das páginas, são perfeitos. Por vezes me vi indo ao fim do livro para conferir como Sagan havia desenhado tal cena.

E ai, você já leu esse livro da CoHo? Qual foi a sua opinião sobre ele? Vamos conversar!

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