08 janeiro 2020

Resenha: Mística feminina, de Betty Friedan

Foto: Luna literária

Mística feminina
BETTY FRIEDAN
325 páginas
Sociologia e Política
Editora Vozes Limitada

"The Feminine Mystique", de 1963, lançou o movimento feminista contemporâneo, e, com isso, transformou permanentemente a tessitura social dos EUA e de muitos países do mundo, Com sua análise apaixonada, mas contundente e clara, das questões que afetaram a vida das mulheres nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial - incluindo uma suposta domesticidade forçada e perspectivas profissionais restritas e, conforme narrado nas edições posteriores do livro, a campanha pela legalização do aborto -, "A Mística Feminina" é largamente visto como uma das teorias mais lidas e questionadas do século XX. Anos mais tarde, muitas mulheres tacharam o trabalho de Friedan de superado, mas os aspectos da vida moderna que hoje parecem corriqueiros até a presença das mulheres na política, medicina, no clero e nas forças armadas é consequência indireta do ruído que ela ajudou a difundir.

Você sabia que durante a década de 40 as mulheres foram submetidas a uma domesticação? Pasme, é isso mesmo! O livro Mística Feminina conta exatamente como isso aconteceu.

Após a crise de 1929 e com a Segunda Guerra Mundial em atividade, as mulheres precisaram deixar de lado os trabalhos domésticos e se submeterem aos trabalhos em geral, basicamente foram transformadas na mão de obra barata da época.
E até ai tudo bem. Uma grande mudança, necessária, e que elevou o status da mulher perante a sociedade, deixando de ser vista apenas como uma "dona de casa". O problema nisso tudo é que, com o fim da Guerra, a mesma sociedade que abriu essas portas, as fechou.

Betty Friedan apresenta ao leitor como um tipo de lavagem cerebral recaiu sobre as mulheres da época, os mecanismos de persuasão utilizados, desde publicidades glorificando o papel da mulher dona de casa, desmerecendo aquelas que optavam pelos estudos, até pesquisas da época que comprovavam este ser o papel do grupo. É SURREAL!

Logo uma doença antes desconhecida atinge grande parte das mulheres norte americanas. Um sentimento de não pertencimento, um grito interno de que poderiam fazer muito mais, a infelicidade por ter que ser algo que não queriam. Já não havia mais sentido naquela rotina.

Mística feminina é considerado um dos estopins para a 2° onda do feminismo, causando uma verdadeira revolta entre as mulheres americanas. A autora conta toda essa história com os mínimos detalhes, abordando trechos retirados da imprensa da época e entrevistas com diversas mulheres. É uma riqueza de informação.

Gosto de encarar que mesmo nos dias atuais a leitura desse livro é importantíssima para conhecermos mais da nossa própria história, além de compreender como mulheres mais velhas ainda estão presas a mística.

Experimentei tudo que se espera das mulheres – hobbies, jardinarem preparação de conservas, contato social com os vizinhos, participação em comitês, chás de pais e mestres. Sei fazer tudo isso e até gosto, mas nada me dá algo para pensar. Nada me diz quem eu sou. Nunca tive ambições de seguir uma carreira. Só queria casar e ter quatro filhos. Adoro as crianças, Bob e minha casa. Não tenho problemas que valha mencionar. Mas vivo desesperada. Começo a achar que não tenho personalidade. Sou uma copeira, babá, arrumadeira, a pessoa requisitada para qualquer coisa. Mas, quem sou eu?

Ah, deixo ressaltado que não há problema algum em ser dona de casa. A raiz da questão não é essa e sim quererem nos impor apenas essa opção a ser vivida.

E ai, você já conhecia essa obra? Já havia ouvido falar na Mística Feminina?

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