14 janeiro 2020

Resenha: O conto da Aia, de Margaret Atwood

Foto: Luna literária




O conto da Aia
MARGARET ATWOOD
368 páginas 
Distopia 
Editora Rocco

Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.
Já imaginou ter sua vida ceifada? De uma hora para outra toda a sociedade na qual você conhece desmorona e uma nova, distópica, totalitária e fundamentalista cristão-militar surge. Isso é Gilead.
Com o intuito de aumentar os índices de natalidade e retomar o que chamam de "velhos costumes", os Estados Unidos foram aniquilados. Nesta nova realidade, as mulheres perderam a voz, foram rebaixadas devido ao seu gênero e transformadas em máquinas de reprodução.
Agora uma nova identidade cultural foi imposta pelo governo e elas divididas em classes, cada qual com suas funções. As Aias são as reprodutoras; as Marthas, empregadas domésticas; as esposas, donas de casa e acompanhantes do marido; as tias como professoras que auxiliam na educação; e as não mulheres são as pobres, prostitutas, doentes ou que não se encaixam em nenhuma das castas acima descritas.
Ao longo dos capítulos conhecemos diversos personagens, mas a narrativa fica por conta de Offred e é a partir do ponto de vista dela que vamos conhecendo esta nova república. Ela é uma Aia, o que significa que uma vez ao mês, em seu período fértil, a garota é submetida a uma cerimônia na qual é estuprada pelo comandante com a participação da esposa, tudo isso em nome de um bem maior, e regado às regras do velho testamento bíblico, gerar crianças para as famílias dos comendadores.
Offred, que tem o nome derivado de seu mestre – De Fred, em português – é livre apenas dentro dos próprios pensamentos, onde traz as lembranças de uma vida passada, mas não esquecida, quando era casada, mãe, com uma própria identidade e um nome: June.
A única saída para a protagonista é seguir as regras de Gilead na esperança de que um dia a sociedade ao seu redor acorde e ela possa, finalmente, se ver livre deste pesadelo.
Margaret Atwood é incrível! Palavras não são suficientes para descrever essa história e sinto que é preciso ler, ou assistir a série, para entender o que ali se passa. A autora escreve cada palavra com emoção, sentimento e profundidade. Ela te toma por inteiro.

O Conto da Aia reune muitos dos medos que nós mulheres possuímos. É impossível não ficar com o estomago embrulhado ou chorar em algum momento ao longo dessas páginas. Eu te desafio a não imaginar como seria possível essa realidade chegar até nós.
Finalizo essa resenha aqui e te convido a ler essa incrível obra.


Essa resenha contém trechos do meu tcc "A REPRESENTAÇÃO DO FEMININO NA SÉRIE THE HANDMAID’S TALE SOB O OLHAR DA TEORIA CULTURAL" *

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