15.8.18

O ódio que você semeia, de Angie Thomas

Júlia Raquel

“Qual é o sentido de ter voz se você vai ficar em silêncio
nos momentos que não deveria?”

O ódio que você semeia
ANGIE THOMAS
378 páginas
Jovem adulto
Galera Record
Onde comprar: Amazon
Avaliação: 5🌟’s + 

Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.

Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.

Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.

Essas são algumas regras de como se comportar na presença de um policial que o pai de Starr a ensinou. Mas, infelizmente ninguém nunca teve essa conversa com Khalil e ele foi assassinado por aquele que deveria o proteger.

O ódio que você semeia é uma história forte e real. A obra apresenta dois adolescentes: Starr, que acabou de perder um amigo, e Khalil, o amigo. Mais um jovem morto por apenas ser negro. Os dois estavam voltando de uma festa quando foram parados por uma viatura policial. Um movimento errado, uma suposição e três tiros tiraram a vida do garoto. A adolescente é a única testemunha do crime e agora precisa decidir se dará voz a uma causa.

Essa leitura traz uma reflexão muito forte, gera desconforto, revolta e o motivo é simples, ela retrata a nossa realidade. No livro, quem está por dentro dos fatos quer justiça por Khalil. Quem está do outro lado da tela, acompanhando tudo pela televisão, no aconchego de suas salas, acha que o garoto era uma ameaça e o policial agiu certo.

Até quando vamos julgar o que não sabemos? O fato de morar em uma comunidade carente, em favelas, ter amigos envolvidos com as drogas, ou até mesmo ser negro, não o faz bandido. Não generalize a realidade que você acha que conhece. Angie Thomas nos da uma surra com esse livro e mostra exatamente isso. Ela nos entrega uma leitura difícil, mas com um tom simples, questionador e em alguns momentos descontraído. A autora critica, discute, expõe e apresenta a generalização da maioria sob a minoria.


“Engraçado. Os senhores de escravos também achavam que estavam fazendo a diferença na vida dos negros. Que os estavam salvando do "jeito selvagem africano". Mesma merda, século diferente. Eu queria que pessoas como eles parassem de pensar que gente como eu precisa ser salva”.

Starr é uma protagonista cheia de atitude, dedicada àqueles que ama, mas que precisa enfrentar alguns dilemas da própria vida. A jovem encara duas realidades opostas diariamente: o bairro onde mora com a família, pobre, esquecido pelo mundo e repleto das pessoas com que mais se importa. E, a escola particular no bairro vizinho, onde é a única garota negra e desempenha um papel totalmente diferente das outras horas do dia. Quando Khalil morre a garota decide não contar para os amigos, nem ao menos para o namorado, tudo isso para não ser a “jovem que veio do gueto” e receber diversos olhares de compaixão de pessoas que na verdade não sei importam.

Já Khalil é um grito por justiça no meio de tanta coisa errada. Ele é assassinado, julgado, marginalizado, mas não esquecido. Muitas pessoas do bairro clamam por justiça, gritam pela prisão do policial, procuram a própria voz no meio da injustiça. Afinal, a arma do crime, a responsável por assustar o policial, era um cabo de uma escova de cabelo e a cor da pele do jovem.

Outros personagens também são muito importantes para o desenvolvimento da trama. Maverick, o pai de Starr, é fundamental para o crescimento da protagonista. Lisa, a mãe, é o elo que une toda a família e que sonha em morar em outro bairro mais seguro, mas sem abandonar a comunidade. Seven o irmão mais velho e protetor, filho de Maverick e adotado por Lisa, tem um coração gigante e muita coragem de enfrentar o inimigo por aqueles que ama. Sekani, o caçula família traz o ar da graça para as páginas, e confesso, me arrancou muitas risadas. Por último, ainda há Carlos, o tio policial, responsável pela criação das crianças no período em que Maverick estava preso.

Entre os amigos de Starr temos Maya e Hailey e como o preconceito pode colocar uma amizade de anos por um fio. Nos mostra que nem sempre conhecemos as pessoas de verdade e faz com que o leitor queira dar uns socos na cara de uma delas. Já Chris é o namorado branco de Starr e ambos vivem em uma relação envolta em receios, medos e julgamentos.

Ainda há outros personagens muito importantes e essenciais para as páginas, mas sinto que já entreguei muito e agora você precisa fazer a sua parte. Leia este livro. Conheça esta história e a deixe tocar o seu coração. Em outubro as páginas vão ganhar as telas do cinema e esses personagens irão ficar mais acessíveis a todos. Confira o trailer do filme:



E ai, você ficou curioso com a leitura? Para aqueles que já leram a obra, o que vocês tem a dizer? Vamos conversar.
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14.8.18

Entre umas e outras, de Julia Wertz

Júlia Raquel

Entre umas e outras
JULIA WERTZ
208 páginas
Graphic novel
Editora Nemo
Onde comprar: Amazon
Avaliação: 5🌟’s

Nesta inebriante graphic novel autobiográfica, Julia Wertz (criadora da cultuada HQ The Fart Party) documenta o ano em que decidiu ir embora de São Francisco, sua cidade natal, para ganhar as ruas desconhecidas de Nova York. Mas não se engane: esta não é aquela história manjada de redenção da jovem que supera todas as adversidades ou bobagens desse tipo. É um livro pra lá de engraçado às vezes incisivo, é verdade, repleto de ilustrações divertidas, de um humor ácido e de muita autodepreciação. De quadrinho em quadrinho, Wertz passa por quatro apartamentos toscos, sete empregos sofríveis, problemas familiares, viagens fracassadas e uma infinidade de garrafas de uísque.

“Drinking At The Movies”, no Brasil intitulado como “Entre umas e outras”, é uma graphic novel autobiográfica que retrata alguns momentos da vida da autora Julia Wertz. Azarada, desastrada, sem ligar para moda e com severos problemas envolvendo comidas estranhas e bebidas, acompanhamos a personagem entre sete empregos, quatro apartamentos, problemas familiares e muitas garrafas de álcool, quando decide ir embora da já conhecida San Francisco, a cidade natal, para as ruas de New York e passar muitas enrascadas.

“Entre umas e outras” foi o meu primeiro contato com as graphic novels e agora posso dizer que adorei este estilo de leitura. Os desenhos retratando New York, uma das minhas cidades dos sonhos, ajudaram ainda mais na hora de conquistar o meu coração. Além disso, essa obra é um quanto diferente, pois também se trata de uma autobiografia da autora. Eu realmente estou encantada por esse livro, é isto.

Com uma narrativa real, Julia nos mostra as dificuldades de morar em uma cidade grande, arranjar um novo emprego, encontrar um apartamento ideal e até os perrengues envolvendo a família. Alguns pontos não são muito aprofundados e são compartilhados em apenas uma página, porém isto não é problema. Todas as páginas são regadas pela simplicidade e o bom humor.


Sinto que não tenho muita experiência para falar sobre o traço dos desenhos, já que esta é a minha primeira leitura de graphic novel, mas acredito que este seja bem simples. Percebemos que as artes mais bem elaboradas das obras são as ruas de New York e San Francisco, ou quando a autora retrata as inúmeras mudanças de apartamentos. Confesso, fiquei vários minutos admirando essas páginas. Obra recomendada!
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30.7.18

Coração perverso, de Leisa Rayven

Júlia Raquel

“O amor é um canalha. Não se importa com os planos das pessoas.
Nunca é conveniente”.

Coração perverso
LEISA RAYVEN
360 páginas
Romance Adulto
Globo Alt
Onde comprar: Amazon
Avaliação: 4.5🌟's

Elissa Holt tem uma regra quando se trata de relacionamentos: ela não namora atores. Sua bem-sucedida carreira de diretora de palco em Nova York a ensinou que eles não são confiáveis, e isso se comprova quando ela conhece Liam Quinn. Eles tiveram um breve, porém intenso romance há seis anos, pouco tempo antes de Liam se mudar para Hollywood, fazer sucesso em grandes produções de cinema e quebrar o coração de Elissa ao começar a namorar Angel Bell, a atriz queridinha da América.

Agora o casal do momento está em Nova York para estrelar a peça A megera domada, de Shakespeare, da qual Elissa será, coincidentemente, a diretora de palco. Apesar de o cenário ser completamente diferente, tudo o que aconteceu entre eles – e o que poderia ter acontecido – vem à tona. Mesmo Elissa sabendo que se entregar a Liam de novo poderia gerar uma tragédia, fica claro que o amor e o desejo nem sempre seguem o script...

Uma das principais regras de Elissa Holt é não namorar atores. A garota é diretora de palco e já tem certa experiência com esse erro. A coisa não dá certo, é muito drama, amor para a vida toda e no fim ela acaba mais uma vez sozinha, trocada pela parceira de palco. Por isso, certa noite quando conhece Liam Quinn em um bar, uma das primeiras perguntas é “por acaso você é ator?”. Imaginem a surpresa ao ver o homem entrando para fazer o teste da peça Romeu e Julieta no dia seguinte.

O inevitável acaba acontecendo e um romance surge. Mas, logo Liam recebe uma proposta para o cinema e parte em busca dos próprios sonhos em Hollywood. A promessa é manter um tipo de relacionamento à distância e tudo estava indo muito bem, até Elissa descobrir que o jovem está em um novo romance com a parceira de filme, Angel Bell.

Agora, seis anos depois, o casal favorito da América está em Nova York para estrelar uma peça de Shakespeare, e claro, Elissa é a diretora de palco. Mesmo a vida tendo dado diversas voltas, é inevitável não pensar no que ambos poderiam ter sido e no que agora não são. Será que Elissa e Liam vão conseguir superar o passado? Ou a atração e todo o amor vão superar todos os problemas?

“A dor de um coração partido não te ensina a ser forte. Ela te ensina a proteger sua fragilidade. Ensina você a temer o amor”.


Mais uma vez a autora Leisa Rayven nos entrega uma estória deliciosa. Sim meus amigos, quase tão boa quanto Meu Romeu e a sequencia Minha Julieta. Quem diria que Elissa seria uma ótima protagonista. Com uma escrita leve, divertida e envolvente, Leisa prende o leitor do início ao fim e faz todos nós suspirar pelo novo mocinho, Liam. E diferente dos volumes anteriores, esse nos apresenta um amor perdido e a chama reacendida, ou seja, nada de amor doentio ao estilo de Ethan Holt.

Além de ambos os personagens já citados, Angel Bell e Josh também dão um ar cômico as páginas. E, sinceramente? Eu me apaixonei ainda mais pelo melhor amigo de Elissa, gostaria dele na minha vida. Vale ressaltar a importância de ler essa série na ordem correta, deixando ‘Coração perverso’ por último para assim fugir de possíveis spoilers.

E ai, você ficou curioso por essas páginas? Para aqueles que já conhecem essa estória, gostam assim como eu? Vamos conversar!
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29.7.18

Editoras favoritas: Intrínseca

Júlia Raquel

Ainda em 2012 entrei em uma livraria e me deparei com a capa mais linda já vista até então, era o livro Para Sempre da série Os imortais, de Alison Nöel. Foi amor a primeira vista e também ao primeiro capítulo. Depois daquela leitura eu completei a série, conheci a saga Crepúsculo e as obras do John Green. Todos da Intrínseca. Por isso, hoje trago para vocês os meus livros favoritos dessa editora.

Para todos os garotos que já amei, de Jenny Han: Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

Uma estória de descobrimento pessoal, amadurecimento, amigos e acima de tudo, a família. A protagonista é real, poderia ser facilmente a minha vizinha, e encontra a própria autoconfiança, aceitação, descobro o perdão e o poder das segundas chances nessas páginas. Jenny Han nos entrega um enredo fofo, divertido e leve, que promete prender o leitor do início ao fim e pedir por mais.

Garota exemplar, de Gillian Flynn:  Na manhã de seu quinto aniversário de casamento, Amy, a linda e inteligente esposa de Nick Dunne, desaparece de sua casa às margens do Rio Mississippi. Aparentemente trata-se de um crime violento, e passagens do diário de Amy revelam uma garota perfeccionista que seria capaz de levar qualquer um ao limite. Pressionado pela polícia e pela opinião pública – e também pelos ferozmente amorosos pais de Amy –, Nick desfia uma série interminável de mentiras, meias verdades e comportamentos inapropriados. Sim, ele parece estranhamente evasivo, e sem dúvida amargo, mas seria um assassino? Com sua irmã gêmea Margo a seu lado, Nick afirma inocência. O problema é: se não foi Nick, onde está Amy? E por que todas as pistas apontam para ele?

Esse livro é simplesmente fantástico e foi o responsável por me apresentar a escrita viciante de Gillian Flynn. A autora envolve o leitor na estória por meio de detalhes e segredos revelados, tudo isso para que você não deixe o livro de lado um momento se quer. Outro ponto fantástico dessa obra é alteração dos narradores com o passar dos capítulos, tornando o leitor o responsável por construir o ponto de vista dos personagens. Garota exemplar é de tirar o folego! Vale ressaltar que é obrigatório finalizar a leitura e já ir assistir a adaptação, pois também é incrível. Leia a resenha dessa e outras obras da autora clicando aqui.

Caixa de pássaros, de Josh Marleman: Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.

É com capítulos curtos, mas totalmente densos, que o autor nos entrega um suspense de deixar o leitor desesperado. É impossível não começar e querer terminar a obra o mais breve possível. Além disso, Josh Marleman possui uma escrita leve e alterna os capítulos do livro entre passado e futuro, quando o surto tem início e como as personagens estão agora. Simplesmente incrível!

Agora vamos conversas, quais são os seus livros favoritos da editora Intrínseca?
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28.7.18

Sorte grande, de Jennifer E. Smith

Júlia Raquel


“Meu coração é um ioiô, subindo e descendo, e é Teddy quem
está controlando a corda. Só que eu nunca imaginei que um ioiô
podia subir tão alto”.

Sorte Grande
JENNIFER E. SMITH
384 páginas
Jovem adulto
Galera Record
Onde comprar: Amazon
Avaliação: 4🌟’s

Desde que perdeu os pais, Alice não acredita na sorte. Mas ela acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo, Teddy. Quando precisa decidir o que dar a Teddy em seu aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente: um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número dos anos que estiveram juntos, datas importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois se envolvem em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria tudo. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Mas será que pode dar uma ajudinha?

Você já se imaginou comprando o bilhete premiado da loteria? Agora, imagine comprar e dar de presente para outra pessoa? Imaginou? Pois bem, foi exatamente isso que acontece com Alice.

Definitivamente a sorte e Alice não são melhores amigas. Em apenas treze meses a jovem perdeu a mãe para um câncer e o pai em um acidente no trânsito. Sem familiares na cidade onde morava, precisou mudar para o outro lado do país, longe dos amigos, do bairro e do calor da Califórnia. Mas, mesmo com o destino gostando de virar a vida dela de cabeça para baixo, a garota ainda acredita no amor dos tios, do primo Leo e do melhor amigo Teddy.

Quando Teddy está prestes a completar 18 anos, nada mais faz sentido do que comprar um bilhete de loteria para o jovem, algo único e especial. O que ela não esperava era ter a tremenda sorte de escolher os números premiados. A idade, o número do apartamento, os anos de amizade, a data de aniversário. Praticamente todos os números sorteados tinham algo a ver com Teddy. Sim, ele é o crush número um, e quase que o único, da jovem Alice.

Agora, Teddy é a pessoa mais jovem de Chicago a ganhar na loteria e os amigos vão se envolver em diversas aventuras, realizando sonhos e vontades de infância. Tudo estava indo muito bem, até um beijo entre Alice e Teddy tirar a amizade dos eixos. O que será que ele vai fazer com todo esse dinheiro? Finalmente vai perceber que Alice quer muito mais que uma amizade? Ou, tudo mudará e ele vai se tornar uma pessoa completamente diferente?


“A vida não se curva à vontade de ninguém. E também não funciona baseada em um sistema de créditos. Só porque o mundo roubou algo de mim, não significa que me deva outra coisa em troca. E só porque estoquei uma quantidade grande de má sorte, não significa que vá receber algo de bom em troca”.

Este foi o meu primeiro contato com a escrita da autora Jennifer E. Smith e, preciso dizer, adorei! Com um enredo leve, divertido e personagens cativantes, “Sorte Grande” me ganhou ainda nos primeiros capítulos.

Narrado em primeira pessoa pela protagonista Alice, o enredo apresenta personagens bem complexos, todos com as próprias questões e dúvidas sobre a vida, como vão resolver e passar por tudo isso, por exemplo, o luto na infância/adolescência e a relação entre pais e filhos. Além disso, a autora também soube descrever as consequências de se ganhar em uma loteria e como a vida pode mudar completamente quando isso acontece. Definitivamente a autora conseguiu fazer aflorar a conexão entre leitor e personagem de maneira perfeita.

Alice é uma personagem com voz, decidida e com personalidade forte. Ela sabe o que quer, às vezes não consegue enxergar o verdadeiro motivo por trás das escolhas, porém, mesmo assim, sabe que é o certo. Mesmo com a falta de fé no universo, o que é aceitável, devido as grandes perdas e reviravoltas da vida, ela continua fazendo o melhor, pensando e ajudando o próximo.

Já Teddy, o amigo e crush de Alice, é o escape do livro. Engraçado, meio sem noção e realizado por ter ganhado na loteria, o garoto nos mostra a realidade de quem não tinha nada e passa a ter tudo. A inconsequência do capitalismo, seguido da vontade de ajudar o próximo e tentar fazer o bem com tanto dinheiro. Além disso, Teddy também tem uma relação bem complicada com o pai, o que vai mudando e mostrando que as vezes, até mesmo os mais próximos conseguem ser interesseiros.

Já Leo é o primo de Alice – a jovem vive com ele e os tios desde a morte dos próprios pais. Aqui, preciso dizer, eles também são ótimos. Que família mais maravilhosa! São com esses personagens que a autora nos mostra a importância do aconchego, apoio e a família no geral.

“Sorte grande” me deixou bem curiosa a ler outros títulos da autora, por isso pergunto a aqueles que já a conhecem, qual me indicam? E você, que assim como eu ainda não havia lido essa obra, ficou curioso? Até mais!

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25.7.18

Jogador número um, de Ernest Cline

Júlia Raquel

“Era o despertar de uma nova era, na qual a maioria da raça
humana passava todo o tempo livre dentro de um videogame”.

Jogador número um
ERNEST CLINE
463 páginas
Ficção científica
Leya
Onde comprar: Amazon
Avaliação: 4🌟’s

O ano é 2044 e a Terra não é mais a mesma. Fome, guerras e desemprego empurraram a humanidade para um estado de apatia nunca antes visto. Wade Watts é mais um dos que escapa da desanimadora realidade passando horas e horas conectado ao OASIS – uma utopia virtual global que permite aos usuários ser o que quiserem; um lugar onde se pode viver e se apaixonar em qualquer um dos mundos inspirados nos filmes, videogames e cultura pop dos anos 1980. Mas a possibilidade de existir em outra realidade não é o único atrativo do OASIS: o falecido James Halliday, bilionário e criador do jogo, escondeu em algum lugar desse imenso playground uma série de Easter Eggs, e premiará com sua enorme fortuna – e poder – aquele que conseguir desvendá-los. E Wade acabou de encontrar o primeiro.

A Terra foi bombardeada por guerras. O povo convive com a fome. O desemprego em massa é a mais nova realidade. Wade Watts vive nesse mundo completamente diferente do nosso, em meio a vários trailers empilhados um por cima do outro, simulando um prédio repleto de apartamentos. Ali ele vive sob a tutela de uma tia que não dá a mínima para ele. Mas, essa é apenas uma parte da vida do garoto. No mundo em que ele passa a maior parte da própria vida, ele é chamado de Parzival. Em 2044 o único refúgio da humanidade para fugir da realidade diatópica é o Oasis.

O Oasis é universo virtual criado pelo incrível James Halliday. Lá é possível ter uma nova vida e por isso grande parte da população mundial dedica todo o tempo disponível ao jogo. Há casas, bairros, escolas, trabalho, lutas, disputas, shoppings, viagens. Tudo o que você imaginar, a realidade virtual tem. O problema é que tudo isso está sendo ameaçado.

James Halliday morreu. Porém, antes da doença acabar com a própria vida, o programador deixou instruções precisas de uma caça a um tesouro virtual. Aquele que descodificar as mensagens, encontrar as três chaves e passar pelos três portões, será o vencedor. O prêmio? O próprio Oasis e toda a fortuna conquistada por Halliday. A partir daí uma grande corrida pelo ovo dourado começa e Wade é o primeiro caça-ovo a descobrir a resposta.

“Por mais assustadora e dolorosa que a realidade possa ser, é também o único lugar onde se pode encontrar felicidade de verdade. Porque a realidade é real”.

Assim como o Wade eu sou apaixonada pela cultura dos anos 80, mesmo tendo nascido sete anos após o fim dessa década. Ver tanta referencia a filmes e músicas que são os meus favoritos foi incrível. Já na parte dos jogos, confesso, sou bem leiga, mas em nenhum momento enfrentei dificuldades para entender o que estava sendo descrito. Na verdade só aumento a minha vontade de ter vivido nesse tempo. Ernest Cline soube dar o tom certo para a estória.

Além disso, a estória nos trás algumas mensagens como o poder das amizades e como é possível se apaixonar pela essência da pessoa, sem ao menos saber como é a aparência verdadeira. O amor vai muito além disso. Mesmo tendo esse quê de romance, em nenhum momento este é o foco. A caça é a coisa mais importante na vida desses personagens.

Mas, se gostei tanto assim, porque eu não dei cinco estrelas? Simples, são tantas as explicações que em alguns momentos a leitura se tornou chata. O maior problema com isso, para mim, foi no início da leitura, quando até cheguei a cogitar deixar o livro um pouco de lado. Acredito que só não fiz isso, pois já havia assistido ao filme e sabia do potencial dessa estória. Foi por volta da página 100 a 150 que tudo começou a melhorar e a leitura fluiu. Deslanchei nas páginas e acabava um capítulo já querendo o próximo. Acho importante comentar isso para que futuros leitores não desistam e persistam na leitura.

O livro já tem adaptação cinematográfica dirigida pelo Steven Spielberg, com uma ótima escolha dos autores, efeitos maravilhosos e claro, uma pegada bem parecida com as páginas. Confira o trailer:


Como revelado anteriormente, eu sou apaixonada pela cultura dos anos 80 e com a música isso não seria diferente. Por isso, para mim, a trilha sonora do filme é uma das melhores de todos os tempos e eu posso provar rs. Não deixe de escutar essa playlist fantástica:



E ai, você ficou curioso com essa leitura? Quem já leu, ou assistiu o filme, gostou da estória? Até o próximo post!
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23.7.18

Minha Julieta, de Leisa Rayven

Júlia Raquel

“É comum as pessoas tentarem esconder suas cicatrizes,
como se o mais leve dano provasse o quanto são fracas”.

Minha Julieta
LEISA RAYVEN
352 páginas
Romance adulto
Globo Alt
Onde comprar: Amazon
Avaliação: 5🌟's + 


A esperada sequência de Meu Romeu traz de volta Cassie e Ethan, dois jovens atores que viveram uma paixão intensa, mas se magoaram profundamente. Alguns amores nunca te deixam ir...

Cassie jurou que nunca iria perdoar Ethan por quebrar o coração dela, quando eles estavam juntos anos atrás. Ele era seu grande amor, e quando ele se recusou a amá-la de volta, uma parte dela morreu para sempre... ou assim ela pensou. Agora ela e Ethan estão compartilhando um palco da Broadway, e ele está determinado a reconquistá-la. Finalmente ele é capaz de dizer todas as coisas que ela precisava ouvir... mas ela pode acreditar nele? Será que ele realmente mudou, e o que faz com que esta mudança seja diferente de todas as suas outras promessas não cumpridas?

A resposta está em algum lugar do passado, e agora a verdade virá à luz. Cassie voltará a confiar da maneira como ela era antes com Ethan? Ou é tarde demais para estes amantes estrela-cruzados?

Cassandra e Ethan se conheceram no primeiro ano da faculdade de teatro, a Grove, e o romance não ficou apenas no palco, logo o casal também estava vivendo uma história de amor na vida real. Mas, nem tudo é para sempre e Ethan provou ser tóxico, levando o namoro ao fim.

Agora Cassie precisa decidir se deixa Ethan entrar em sua vida novamente, ou segue em frente e nunca mais olha para trás. O problema é que os dois estão atuando na mesma peça de teatro e o rapaz está mais do que determinado a reconquistar a atriz.

Assim que finalizei Meu Romeu não medi esforços e logo iniciei a sequência da obra. Era impossível esperar ou ao menos não ficar curiosa pela continuação. Leisa Rayven não decepcionou. Como no primeiro livro a narrativa é intercalada entre passado e futuro, fazendo com que o leitor entenda tudo o que aconteceu entre o casal e o porquê de tanta mágoa no coração de Cassie. Além disso, a escrita da autora continha extremamente viciante e por isso foi fácil e rápido chegar ao final.

Nesse volume Cassie está totalmente cautelosa, sabe que precisa proteger os próprios sentimentos. Além disso, após tanta decepção, a garota está mais fria, dura e menos sentimental. Já Ethan é o responsável pelas mudanças mais drásticas. Às vezes é até difícil reconhece o bad boy. Ele está mais calmo, bom, amoroso e totalmente decidido a fazer as coisas darem certo. O jovem ator finalmente parou de guardar segredos.

“Tento parecer forte, mas minha voz falha, Não é de admirar. Agora sou um monte um monte de cacos quebrados que se mantém unidos pela pura determinação de não deixa-ló me ver desmoronar”.

Será que dessa vez Ethan vai conseguir colocar os sentimentos em palavras ou é tudo papo furado e novamente o coração de Cassie será quebrado? Quantas chances um amor merece?


E ai, você ficou curioso com essa sequência? Quem já leu, gostou? Até o próximo post! 😘
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Luna Literária • 2017 Ilustração: Matheus Izaldo | Feito com amor por: Lariz Santana